ECIRS: TÉCNICA MODERNA E EFICIENTE NO TRATAMENTO DE CÁLCULOS RENAIS COMPLEXOS
Data de publicação: 23/06/2025
Os cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins, são uma condição frequente e muitas vezes dolorosa. Segundo o Ministério da Saúde, entre 10% e 15% da população brasileira será afetada por esse problema em algum momento da vida. Para casos mais simples, o tratamento pode ser clínico. Mas, em situações de maior complexidade, abordagens cirúrgicas modernas, como a ECIRS, têm transformado o cuidado com esses pacientes.
A seguir, conversamos com o urologista Dr. Leonardo Gomes, da UROBH, para entender como funciona essa técnica, suas vantagens, limitações e quando ela é indicada.

CONCEITO E INDICAÇÕES DA ECIRS
A ECIRS, sigla para Endoscopic Combined IntraRenal Surgery, é uma técnica endoscópica combinada que permite o acesso ao rim por duas vias simultâneas: percutânea e endoscópica. Isso significa que o procedimento é realizado por dois caminhos — uma pequena incisão nas costas para acesso direto ao rim, e outro através da uretra, passando pela bexiga e ureter.
Segundo o Dr. Leonardo, a abordagem “dupla” proporciona uma visão mais completa do sistema coletor renal e aumenta a eficácia na fragmentação e remoção de cálculos. “As principais indicações são para cálculos renais grandes, acima de 2 cm, cálculos coraliformes ou espalhados por diferentes regiões do rim, além de situações em que outras técnicas falharam”, explica.

CRITÉRIOS PARA INDICAÇÃO DA CIRURGIA
A ECIRS é especialmente indicada para casos complexos, quando se busca o máximo índice de eliminação dos cálculos em uma única sessão cirúrgica. Cálculos volumosos, múltiplos ou localizados em cálices de difícil acesso são situações que justificam sua escolha.
De acordo com o Dr. Leonardo, também há indicação em pacientes com anomalias anatômicas renais, que tornam desafiador o tratamento por métodos convencionais. “A ECIRS exige uma equipe altamente capacitada e estrutura hospitalar adequada. Não é uma cirurgia simples”, enfatiza.
VANTAGENS DA ABORDAGEM COMBINADA
Um dos principais benefícios da ECIRS é a alta taxa de sucesso inicial. A técnica permite que os cirurgiões trabalhem simultaneamente de duas frentes, aumentando a eficiência na remoção dos cálculos e diminuindo o tempo total do procedimento.
“A possibilidade de manipular os fragmentos entre as duas vias e facilitar sua aspiração contribui para um resultado mais completo e com menos chance de necessidade de uma segunda cirurgia”, destaca o especialista.

RECUPERAÇÃO DO PACIENTE E INTERNAÇÃO REDUZIDA
Apesar de envolver uma pequena incisão, a ECIRS é considerada minimamente invasiva. Na prática, isso representa menor dor pós-operatória, retorno mais rápido às atividades e menor tempo de internação.
“O paciente costuma permanecer no hospital por 1 a 3 dias. A recuperação costuma ser rápida, com retorno às atividades leves em cerca de uma semana e retomada da rotina completa entre duas e quatro semanas, dependendo do caso”, afirma o Dr. Leonardo.
CONTRAINDICAÇÕES E LIMITAÇÕES DA TÉCNICA
A ECIRS não é indicada para todos os pacientes. Existem contraindicações importantes, como infecção urinária ativa, distúrbios graves de coagulação, gravidez e condições clínicas que impeçam o uso de anestesia geral.
“É uma técnica poderosa, mas que deve ser reservada para os casos corretos e realizada por equipes experientes”, pontua o médico.

PREPARO PRÉ-OPERATÓRIO CRITERIOSO
Antes da realização da ECIRS, o paciente passa por uma avaliação médica completa, incluindo exames laboratoriais (como hemograma, coagulograma, função renal, eletrólitos) e exames de imagem, como a tomografia computadorizada.
“O preparo adequado é essencial. A urocultura deve estar negativa, e medicamentos anticoagulantes precisam ser suspensos com orientação médica. Tudo isso é feito para garantir a segurança do paciente durante a cirurgia”, explica o Dr. Leonardo.
ETAPAS DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
A ECIRS é realizada em ambiente hospitalar, com o paciente sob anestesia geral. Inicialmente, um ureteroscópio flexível é introduzido pela via uretral, enquanto o acesso percutâneo é feito por uma pequena incisão na região lombar. Com os dois instrumentos dentro do rim, os cirurgiões podem manipular os cálculos de forma coordenada.
“O uso de lasers modernos, como Holmium ou Thulio, permite a fragmentação eficiente das pedras. A remoção dos fragmentos pode ser feita por aspiração ou com cestas extratoras”, detalha o especialista. Em alguns casos, são utilizados nefroscópios miniaturizados (miniECIRS) e sistemas de aspiração avançados.

EXIGÊNCIA DE CAPACITAÇÃO E EXPERIÊNCIA DA EQUIPE
A ECIRS é uma técnica de alta complexidade, e não pode ser realizada por qualquer urologista. “É fundamental que o profissional tenha domínio tanto da nefrolitotripsia percutânea quanto da ureteroscopia flexível. Isso exige treinamento específico em endourologia”, esclarece o Dr. Leonardo.
Ele ressalta que, muitas vezes, a cirurgia é conduzida por dois urologistas simultaneamente ou por um especialista altamente treinado que domina ambas as abordagens.
DESAFIOS PARA IMPLANTAÇÃO NOS HOSPITAIS
Apesar de seus benefícios, a ECIRS ainda não está amplamente disponível. Isso se deve ao alto custo dos equipamentos necessários, como ureteroscópios flexíveis, geradores de laser e nefroscópios modernos.
Além disso, a técnica exige uma equipe multidisciplinar treinada e uma estrutura hospitalar adequada, o que limita sua prática a grandes centros e hospitais de referência. “São muitos os desafios logísticos e financeiros para implementar esse tipo de cirurgia com excelência”, reforça o médico.

PÓS-OPERATÓRIO E RECUPERAÇÃO FUNCIONAL
Os cuidados após a ECIRS incluem controle da dor, monitoramento de sinais vitais, estímulo à hidratação e mobilização precoce. Drenos e stents podem ser utilizados temporariamente para garantir o bom funcionamento do sistema urinário.
“A alta ocorre geralmente em poucos dias. A recuperação é progressiva e, com orientação médica, o paciente pode retomar sua rotina em segurança”, informa o Dr. Leonardo.
RISCOS E COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS
Como todo procedimento cirúrgico, a ECIRS apresenta riscos, embora baixos quando realizada por equipes experientes. As complicações mais comuns são o sangramento e a infecção. Casos raros podem evoluir para necessidade de transfusão ou até mesmo nefrectomia.
“Minimizar os riscos depende de uma técnica cirúrgica precisa, uso adequado de tecnologias de imagem e vigilância rigorosa no pós-operatório. A orientação ao paciente sobre sinais de alerta é parte fundamental desse processo”, afirma.

O IMPACTO POSITIVO DA ECIRS NO TRATAMENTO DE CÁLCULOS COMPLEXOS
A ECIRS representa um avanço significativo na urologia moderna. Para pacientes com cálculos renais volumosos e de difícil acesso, essa técnica oferece uma alternativa segura, eficaz e menos agressiva do que cirurgias abertas.
“O grande diferencial da ECIRS é proporcionar alto índice de resolução em uma única intervenção, com menos dor, recuperação mais rápida e menor risco de complicações graves”, conclui o Dr. Leonardo. Ele reforça que a escolha pela ECIRS deve sempre ser feita com base em avaliação especializada e discussão individualizada entre médico e paciente.



