DOENÇA DE PEYRONIE: QUANDO A CURVATURA DO PÊNIS VAI ALÉM DO NORMAL E PRECISA DE ATENÇÃO MÉDICA

Data de publicação: 19/01/2026

DOENÇA DE PEYRONIE: QUANDO A CURVATURA DO PÊNIS VAI ALÉM DO NORMAL E PRECISA DE ATENÇÃO MÉDICA

A Doença de Peyronie é uma condição ainda pouco falada, mas que pode causar grande impacto físico, emocional e sexual na vida do homem. Caracterizada principalmente pela curvatura adquirida do pênis, ela pode provocar dor, dificuldade na relação sexual e queda significativa da autoestima.

Apesar disso, muitos pacientes demoram a procurar ajuda, seja por vergonha, medo ou falta de informação.

Para esclarecer o que realmente é a Doença de Peyronie, como ela evolui e quais são as opções de tratamento disponíveis hoje, conversamos com o Dr. Walter Moreira Fonseca, urologista da UROBH.

 

O que é a Doença de Peyronie e como ela surge

 “A Doença de Peyronie é uma fibrose adquirida da túnica albugínea”, explica o Dr. Walter. A túnica albugínea é a camada que reveste os corpos cavernosos do pênis, estruturas responsáveis pela ereção.

Segundo o especialista, a doença costuma evoluir em duas fases bem definidas. “Primeiro existe uma fase ativa, inflamatória, em que o paciente pode sentir dor durante a ereção e notar uma curvatura progressiva da haste peniana. Depois, a doença entra em uma fase estável, quando a placa fibrosa se torna madura e a deformidade passa a ser fixa”, esclarece.

 

Sinais de alerta e momento certo de procurar o urologista

 A curvatura peniana é o sinal mais conhecido da Doença de Peyronie, mas não é o único. Em muitos casos, outros sintomas aparecem antes mesmo de a deformidade se tornar evidente. Segundo o Dr. Walter, qualquer mudança percebida no pênis que cause dor, desconforto ou impacto na vida sexual deve ser avaliada por um urologista.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Curvatura do pênis, especialmente quando progressiva
  • Presença de um nódulo ou placa endurecida palpável no pênis
  • Dor durante a ereção ou durante a relação sexual
  • Encurtamento do pênis
  • Dificuldade ou impossibilidade de penetração
  • Alterações na qualidade da ereção
  • Desconforto psicológico, insegurança ou queda da autoestima relacionada à aparência ou função sexual

“O momento ideal para procurar ajuda é ao notar curvatura progressiva, dor persistente ou qualquer prejuízo à vida sexual”, orienta o Dr. Walter. A avaliação precoce permite identificar a fase da doença e ampliar as opções de tratamento, muitas vezes evitando a progressão da deformidade e a necessidade de abordagens mais invasivas.

 

 

A Doença de Peyronie sempre causa dor ou curvatura importante?

 Não necessariamente. O Dr. Walter destaca que existem casos mais leves. “Alguns pacientes apresentam apenas uma placa palpável, sem dor e com curvatura discreta. Há também um pequeno percentual de casos que pode regredir espontaneamente após a fase inflamatória.”

Isso reforça a importância da avaliação médica individualizada, já que nem toda alteração peniana segue o mesmo padrão de evolução.

Principais causas e fatores de risco

 Embora a causa exata não seja totalmente conhecida, alguns fatores estão fortemente associados ao desenvolvimento da Doença de Peyronie. “Microtraumas durante a relação sexual parecem ter um papel importante, especialmente em homens com predisposição genética”, explica o especialista.

Outros fatores de risco incluem idade, diabetes, tabagismo, dislipidemia, cirurgias pélvicas prévias e associação com a contratura de Dupuytren, uma condição que afeta a mão.

 

A doença pode piorar sem tratamento?

 Sim, a Doença de Peyronie pode evoluir e se agravar quando não é acompanhada adequadamente, especialmente durante a chamada fase ativa da doença, que geralmente ocorre nos primeiros meses após o surgimento dos sintomas. Nesse período, é comum haver progressão da curvatura peniana, intensificação da dor durante a ereção e piora do desconforto funcional, impactando diretamente a vida sexual e emocional do paciente.

Com o passar do tempo, a doença tende a entrar na fase estável, quando a curvatura deixa de progredir, mas a deformidade já se encontra estabelecida.

Nessa situação, o tratamento costuma ser mais complexo e, em alguns casos, apenas cirúrgico. Por isso, buscar avaliação urológica precocemente é fundamental: além de evitar a progressão da deformidade, o acompanhamento médico aumenta as chances de controle dos sintomas com abordagens menos invasivas e resultados mais favoráveis.

Como é feito o diagnóstico

 O diagnóstico da Doença de Peyronie é essencialmente clínico. “A história detalhada e o exame físico já trazem muitas informações”, explica.

Em muitos casos, é solicitado um ultrassom peniano com Doppler, realizado após ereção farmacológica. Esse exame permite avaliar a placa, a presença de calcificações, o grau da curvatura e também a função vascular e erétil do pênis.

 

Tratamentos clínicos: quando são indicados

 Existem, sim, opções de tratamento não cirúrgico, principalmente na fase ativa da doença. O Dr. Walter cita medidas como tração peniana e injeções intralesionais, como colagenase ou verapamil.

“Essas abordagens são mais indicadas na fase ativa ou em curvaturas moderadas na fase estável”, afirma. Para controle da dor, podem ser utilizados anti-inflamatórios específicos e até terapia com ondas de choque peniana.

Ele faz um alerta importante: “Medicamentos orais e suplementos vitamínicos não têm evidência científica robusta e, de maneira geral, não são recomendados, devendo ser discutidos caso a caso.”

 

Quando a cirurgia se torna necessária

 A cirurgia é indicada quando a deformidade está estável por mais de 4 a 6 meses e causa impacto significativo. “Principalmente quando impede a penetração, causa dor na parceria, falha do tratamento clínico ou grande incômodo estético”, explica o médico.

Principais técnicas cirúrgicas disponíveis

Existem diferentes técnicas cirúrgicas, escolhidas de acordo com o perfil do paciente:

  • Plicatura peniana, indicada para curvaturas menores, com maior chance de preservação da ereção, embora possa causar encurtamento
  • Incisão ou excisão da placa com enxerto, utilizada em curvaturas mais complexas
  • Prótese peniana, indicada quando há disfunção erétil associada ou deformidades mais graves

Cada técnica tem suas indicações, riscos e benefícios, que devem ser discutidos detalhadamente com o urologista.

Recuperação e grau de invasividade

 O grau de invasividade no tratamento cirúrgico da Doença de Peyronie varia de acordo com a técnica escolhida. “As plicaturas penianas costumam ser procedimentos menos invasivos, enquanto cirurgias que envolvem enxerto ou implante de prótese peniana são mais complexas e exigem um cuidado maior no pós-operatório”, explica o Dr. Walter.

De forma geral, a recuperação tende a ser bem tolerada pela maioria dos pacientes. A alta hospitalar costuma ocorrer no mesmo dia ou na manhã seguinte à cirurgia, dependendo do tipo de procedimento e da evolução clínica. Nos primeiros dias, é comum haver inchaço, sensibilidade local e algum desconforto, que normalmente são controlados com analgésicos simples e cuidados locais.

O retorno às atividades do dia a dia acontece de forma progressiva. Atividades leves podem ser retomadas em poucos dias, enquanto esforços físicos mais intensos devem ser evitados por algumas semanas. A retomada da atividade sexual exige um período maior de abstinência, geralmente entre 4 e 8 semanas, para garantir a cicatrização adequada e reduzir o risco de complicações.

“O acompanhamento médico nesse período é fundamental para orientar cada etapa da recuperação, esclarecer dúvidas e ajustar condutas quando necessário”, reforça o especialista. Respeitar as recomendações pós-operatórias é essencial para alcançar bons resultados funcionais e estéticos a longo prazo.

 

Riscos, complicações e impacto emocional

Como qualquer tratamento, existem riscos. Clinicamente, podem ocorrer dor local, hematoma ou resposta limitada. Cirurgicamente, os riscos incluem infecção, perda de sensibilidade, encurtamento, disfunção erétil e recidiva.

Além do impacto físico, a Doença de Peyronie pode afetar profundamente a autoestima. “Muitos pacientes sofrem com ansiedade, insegurança e dificuldade nos relacionamentos. O tratamento ajuda não apenas a corrigir a deformidade, mas a restaurar a qualidade de vida”, ressalta.

 

Expectativas realistas após o tratamento

Um ponto fundamental no tratamento da Doença de Peyronie é o alinhamento de expectativas. Segundo o Dr. Walter, na grande maioria dos casos o tratamento traz melhora significativa da função sexual, redução da curvatura e alívio do desconforto, permitindo que o paciente volte a ter relações com mais segurança e confiança.

“No entanto, é importante entender que nem sempre é possível alcançar uma correção absoluta ou uma aparência idêntica à anterior ao surgimento da doença”, explica. O objetivo principal do tratamento não é a perfeição estética, mas sim restabelecer uma função sexual satisfatória, sem dor e com impacto positivo na qualidade de vida.

 

Pode haver recidiva?

Sim, a Doença de Peyronie pode apresentar recidiva, embora isso não seja a regra. O risco é maior quando o tratamento cirúrgico é realizado ainda na fase ativa da doença, ou quando fatores de risco importantes, como diabetes descontrolado, tabagismo ou microtraumas recorrentes, não são adequadamente abordados.

O Dr. Walter destaca que, quando a cirurgia é indicada no momento correto — após a estabilização da doença — e associada a uma boa avaliação pré-operatória, a maioria dos pacientes mantém resultados duradouros e satisfatórios ao longo do tempo.

Mesmo assim, o acompanhamento após o tratamento é fundamental. “O seguimento permite identificar precocemente qualquer sinal de recorrência ou novas alterações, possibilitando intervenções mais simples e eficazes”, reforça. Com orientação adequada e controle dos fatores de risco, a chance de manutenção dos bons resultados é elevada.

Considerações finais

 Para o Dr. Walter Moreira Fonseca, a principal mensagem é clara: a Doença de Peyronie tem tratamento.

“Procurar ajuda precocemente ajuda a entender a progressão da doença, amplia as opções terapêuticas e melhora significativamente os resultados. O mais importante é saber que o paciente não está sozinho e que existem soluções eficazes e seguras.”

Se você percebeu curvatura peniana, dor ou impacto na sua vida sexual, buscar um urologista especializado é o primeiro passo para recuperar conforto, segurança e qualidade de vida.